domingo, 1 de fevereiro de 2015

Driblando a morte




Quando a morte vier me visitar a estarei esperando com um chazinho e deliciosos biscoitos, pedindo a ela um tempo para tomar banho, colocar minha melhor roupa, maquiar meu rosto e antes de colarem a boca e olhos ligarei a televisão e nela colocarei um cd da minha vida que foi intensa e cheia de glamour.
Começou então o filme e, depois de duas horas não tinha passado nem a metade da minha infância e a morte dormiu, acordei-a com um toque suave na mão, ela esbaforida acordou e me disse: amanhã eu volto, pois o seu filme me fez dormir e tenho mais compromissos para hoje.Desta vez escapei.
Sabia que no outro dia ela voltaria, então, fui tentar consertar algumas coisas que fiz de errado e pedir perdão a quem magoei, tenho certeza que tudo será muito rápido.
Eu e meu velho fomos no outro dia almoçar num restaurante pertinho de casa e quando estávamos saboreando uma deliciosa picanha, quem aparece? A morte.
Sorri para ela e pedi que se sentasse a mesa para que juntos degustássemos os soberbos pratos. Pedi duas garrafas de vinho do Porto e entreguei a morte: beba, é uma delícia...E vocês não bebem nada? Aí eu respondi com muito amor: já bebemos das delícias do amor e já que tenho que ir nada melhor que brindar uma morte tão educada como você.
A morte ficou encantada conosco e perguntou: quantos anos vocês têm?. Respondemos simultaneamente 62 anos. Pôxa vocês são muitos jovens ainda.
Adeus, voltarei daqui a 20 anos.

Lua Singular

10 comentários:

  1. MUY DIVERTIDO RELATO. ME GUSTA.
    BESOS

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  2. Gostei e principalmente do final!! bjs, chica

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  3. Bom dia Dorli

    Que texto lindo, no entanto, quando se fala de morte, fico sempre triste, nem sei porquê...lol

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  4. Ainda bem que a morte voltará somente daqui 20 anos.
    Bjs amiga Dorli.
    Carmen Lúcia.

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  5. oi Dorli

    A morte tem fascínio pela vida e por quem sabe vive-la.

    bjokas =)

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  6. Adoreiiiiiii!
    Seria tão bom se fosse assim não é?
    Amo seus contos, bjs no coração.

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  7. Dorli

    Driblar a morte, será apenas não ter pressa de morrer. Na verdadeira aceção da palavra, na vida já no ano de 2000, aquando depois de AVC, com operação ao cerebelo, o hospital me deu alta estado terminal, para morrer num lar de acamados. Passados sete anos, tinha recuperado todas as funções vitais e a criar o blog DANIEL MILAGRE. Depois disso, nasceram onze livros, com nove publicados e um e edição.
    A isto, com propriedade, chama-se driblar a morte, em troca, ter ficado com uma patologia de estimação.
    Beijos

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  8. Olá, querida Dorli
    Que ela se afaste mesmo para bem longe porque é bom demais viver... rs...
    Bjm fraterno

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  9. Ainda bem que ela só vai voltar após vinte anos.
    Muito legal o texto!
    Beijos
    Amara

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  10. Ai se assim pudesse ser!...
    Mas a história é boa!

    Saudações poéticas!

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