Ouvi ruídos e passos acelerados, olhei assustado no meio daquela enorme confusão. O prédio pegava fogo, todos corriam para lugar nenhum, meu corpo ardia com o calor e fumaça e o fogo se aproximando com uma estridente raiva. Pensei em Deus, pois nesse momento todos pensamos Nele e, envergonhado fiquei. De repente uma viga que sustentava o prédio desabou e com ela muitas pessoas, inclusive eu. Senti meus pés gelarem e pensei: será um milagre, pois estamos no meio de um incêndio, cada um tentando sobreviver; foi aí que eu vi: caí numa enorme caixa d'água e meu corpo que antes fumegante, agora esfriava. Mas o fogo queimava sem dó as pessoas, ouvia-se gritos e lamentos, foi um horror.
Eu, já com o corpo mais frio e com mais energia comecei a tentar fugir daquele fogaréu, para cada lado que olhava era o fogo ardia, sabendo não ter escapatória ajoelhei-me naquelas brasas com sorrisos de fome humana, chorei.
Nesse instante senti uma mão em meus ombros, não via ninguém, mas essa mão forte ergueu-me até fora daquele inferno humano e jogou-me longe daquelas labaredas, quis agradecê-la, mas ela sumiu, então, comecei a correr, retirando pelas ruas minhas roupas, tamanha era a ardência e, não aguentando mais desfaleci.
Acordei na minha cama, minha mulher cuidando dos ferimentos e orando com firmeza, sorriu para mim e eu esbocei um leve sorriso. Pensei no meu desespero e de outras pessoas e, de repente uma notícia cruel era dada pela televisão: Prédio de oito andares pega fogo e não há indícios de sobreviventes. Estremeci.
Nesse instante, minha linda mulher telefona para a rede e diz que eu Jonas, que tinha uma loja naquele prédio perdeu seu sustento, mas algo superior havia lhe salvado a vida e, não há no mundo nada mais importante do que A VIDA, esse suspiro que Deus lhe preservou.
Dorli Silva

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