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Onde
está meu pedaço de prosa, meu colinho, minha estória de bruxas que mamãe
contava. Ela me pegava no colo, beijava meu rosto e dizia que eu era sua
princesa.
Hoje
vejo crianças sentadas mudas com seus celulares, notebook e nenhuma interação
humana. A tecnologia as emudeceu, não brincam nas ruas, as bicicletas estão
encostadas em qualquer canto do quintal e a vida passando e elas perdendo suas
infâncias, a idade mais linda da vida.
Hoje
se juntam carregando seus celulares no bolso, só saem de carro com seus pais
para tomarem sorvete, comerem lanche e tudo o que não presta.
As
crianças “velhas” andavam descalças no chão batido, subiam nas árvores, comiam
goiabas apanhando-as nos pés, os meninos subiam nas mangueiras pegavam mangas
jogavam para as meninas, eles as colocavam nas suas bocas e como macaquinhos desciam e
todos íamos lambuzar. Depois lavávamos as mãos nos pequenos riozinhos. Nossas
doenças: vermes, íamos aos postos de saúde tomar remédios. Não gostava, era um
tipo de óleo tantas gotas conforme nossa idade.
Crianças
iam à escola em dois períodos para aprender, brincadeiras só no recreio de meia
hora, comiam depressa, as meninas brincavam de queima e os meninos de bola. Não
havia ideologia de gênero na escola íamos para estudar e brincar ou jogar, eu participava
de tudo.
Lembro-me
como se fosse hoje quando no recreio um menino me jogou um beijo, fiz-lhe um
gesto que ele iria apanhar na saída. Bateu o sinal corri para pegá-lo, joguei o
garoto no chão e se não me retirassem ele iria apanhar muito, isso serviu de
exemplo para nenhum menino tentar mexer com uma menina.
Por
quê? Os pais nos ensinavam em casa sem rodeios todos os perigos da vida até na
nossa adolescência e se alguma jovem ficava grávida era um auê.
Tínhamos
a obrigação de nos casarmos virgens, nossas roupas nos guarda-roupas eram
revirados e ai se encontrasse alguma coisa, ao invés de beijo era uma bela
surra.
Ficávamos
moças, as mães nos levava nos bailes orquestrados, elas se sentavam e nós
jovens dançando podíamos até sentir o cheiro do pecado, mas o medo era maior.
Valeu
mãe todo o ensinamento, hoje vejo a frieza no que se tange a sexo, fico, então, a recordar aqueles tempos bons que não olvido jamais.