sexta-feira, 13 de julho de 2012

Nosso ninho


Boa noite- 715

Desde criança quis morar na copa d'uma árvore
Deixei logo de ser criança, outras ilusões procurei
Mas algo dentro de mim aflorava como uma saudade
Do tempo d'um sonho infantil, e não olvidava a árvore

Já mais jovem, em férias, fui procurar o sonho perdido
Caminhei a esmo, à noite, numa praia vazia, a brisa gelada
O vago silêncio sufocava meu peito, a lua estava se pondo
Não via estrelas no céu, anunciava a presença da chuva

Começou a chover, chuva miúda a molhar meu corpo
Era lua cheia e podia-se ver nuvens a caminhar no céu
Chuva começou a ficar forte, um rápido vento veio gelado
Caí na areia, molhando minha alma, uma mão me ergueu

Fiquei atordoado ao ver tamanha beleza numa só mulher
Sua mão era tão quente que a fornalha embebeu todo meu ser
Ao levantar-me meio atordoado, vi umas árvores belíssimas
Com suas mãos, ergueu meu rosto e vi um ninho de almas

O perfume natural dessa mulher me estonteou, desmaiei
Ao acordar, ela com seu sorriso malandro quis me beber todo
Dois corpos que se fundiram em um só, depois eu adormeci
Acordei, ela não estava, desci a árvore, procurei-a como doido

Já cansado de procurar a única mulher dos meus lindos sonhos
Adormeci na areia, acordei cansado,a praia deserta sem ela
Algo me acordou, assustei era algo batendo nos meus ombros
Levanta: ela não é terrena, morreu afogada na praia serena


quarta-feira, 11 de julho de 2012

O refúgio da alma



Minha vida precisa urgente descansar
Sonhar o tempo que não foi vivido
Os amores que deixaram de vingar
Refugio-me só num vazio bandido

Caminho... o dia chora meu sofrer
A solidão do atalho embala minha dor
Que fiz eu da minha vida? vida por viver?
Ao meu amor eu não soube dar valor

Fiquei só... ele bateu asas e voou
Agora que o tempo escorregou a vida
O tudo que tenho não vale mais nada
Sem o calor dos seus beijos, a brisa levou

Que estou a fazer nesse atalho do verde?
Um verde morto, tal é hoje minha vida
As flores surgiram lindas, hoje perdem
O brilho das madrugadas frias e cálidas

Meus filhos, onde estão? Não nasceram
Pela minha ganância de não querer dividir
Dividir o que? Só me restam dentes a ringir
Dinheiro escoou pelos ralos, ratazanas roeram

Não tenho nem direito ao um qualquer refúgio
Pois não intimidei a Deus, nem a bebida e fracasso
Hoje sou pior que um espectro num compasso
Olhando para dentro de mim só sobrou naufrágio

barquinho_na_tempestade_net

Mas numa  forte e fria mão me agarrei 
Era Sua mão, Meu amigo, único que conquistei
Numa vida atribulada de loucuras e sem amor
Era a delicada mão do Meu Senhor






segunda-feira, 9 de julho de 2012

A deusa solitária


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Sou a bela deusa nascida do vento
Deixada na nascente d'água cristalina
Cresci bela e encanto meu aposento
Com flores, borboletas. Sou Carolina

Carolina que saiu do seu aposento
Apaixonou-se pelo príncipe Tadeu
Tadeu não sabe nadar e fica no castelo
Levou-me a cavalo e moldou meu viver

Todo o alvorecer visito meu aposento
Foi aqui onde a água emergiu e me criou
 Flores encantam ao chegar com meu canto
Olho pelas águas que sempre me estonteou

No fundo das águas mornas e transparentes
Posso conversar com meus inúmeros amigos
Algas, peixes, ostras, caranguejos contentes
Mergulhando à nadar juntos, felizes, tranquilos

Está chegando o crepúsculo do entardecer
Meu lindo rei espera-me no castelo saudoso
Uma banheira quente com bolhas à embeber
Aroma das flores a nos banhar com amor único

À noite completamos nosso amor com um passeio
Levo-o agarradinho para dar uma olhadela no rio
Meu príncipe se encanta tamanha beleza natural
Agarra-me no colo leva-me para uma paixão total


domingo, 8 de julho de 2012

Nego-me amá-lo



Acordo, meu eu leva-me ao mar
A lua já está no bem alto do céu
Não sei onde estou, fico a vagar
 Meu belo corpo ereto fica ao léu

Olhos meigos e fixos a qualquer lugar
A bela lua entristecida bebe meu querer
Que com pena de mim fica a choramingar
Sonhos tristes a me consumir sem saber

Vazio manuseia a essência da harmonia
Ouço batidas do coração em sofreguidão
Corpo gelando e uma profunda agonia
Solidão, minha companhia: a escuridão

Lágrimas jorram à azular as águas
Ficam mornas por não poder amar
Esse amor tenho que  embalsamar 
Não me pertence e apago as fráguas

UM DIA QUEM SABE VOU
PODER AMÁ-LO