Despi-me do meu eu para ficar contigo, sofri um turbilhão de
humilhações para poder concretizar meu amor contigo. Eras lindo e fogoso, me
aquecia com teus beijos dominantes e, muitas vezes, brutos e inconsequentes,
beijos esses que me deixavam voar às nuvens, me dominava com loucura e era
assim que eu gostava do teu jeito de me amar.
Passou o tempo, já não mais linda como querias
começou a caçoar do meu jeito bobo de fazer amor, pois ele queria ver sangue
escorrendo dos meus lábios e ao beijá-los mordia-os até sangrar; e eu gostava
do teu jeito bruto de me amar.
O tempo voou rápido demais para eu poder
perceber que o teu jeito de ser não era normal para um homem querer ver sangue
ao invés de carinhos e beijos suáveis e delicados. Fui perceber tardiamente
que era um psicopata. Fugi. Sumi pelas veredas da vida com meu coração
sangrando, pois por tudo que ele me fez eu gostava do teu jeito de me amar.
Fiquei aos pés de uma frondosa árvore, quase semi- nua, pés descalços, quando
ouvi uma voz: Te encontrei mulher, fugiste de mim e, com uma faca na mão veio a
minha direção, nisso senti meu corpo levitar e aconcheguei-me num galho
frondoso.
-Desça daí mulher, quero retalhá-la em
pedacinhos minúsculos, comer da tua carne e beber do teu sangue até me saciar
e, o resto que sobrar quero enterrá-lo numa cova rasa para que os cães famintos
venham deixar teu esqueleto nu, para que eu saiba que tu nunca mais serás de
ninguém. Minhas pernas tremiam, o medo era constante; nisso começou a chuviscar
e numa fração de segundo grossas gotas batiam meu rosto a deslizar meu corpo
semi-nu.
O pôr do sol estava sumindo e, antes que a
escuridão temesse minha alma, ouvi uns latidos de cães que ao vê-lo embaixo da
árvore atacou-o sem piedade, logo atrás alguns soldados chegaram para
prendê-lo. De cima da árvore comecei a gritar e os soldados não tinham escadas
para me tirarem de lá e, num ímpeto, como se tivesse asas fui baixando
vagarosamente até o chão. Desesperada abracei o soldado e, desfaleci.
Acordei no hospital, meus pais choravam minha
desgraça, mas também a emoção de poderem me abraçar e voltar para casa, pois
era lá o meu lugar. Nisso alguém bateu à porta e ao abri-la, entra um lindo
jovem de cabelos encaracolados, olhos negros como a noite e me entregou flores,
foi aí que lembrei que era o soldado que por certo me carregou no colo até a
viatura e me trouxe ao hospital. Meus pais agradeceram e saíram sorrateiramente
do quarto.
Meu nome é Willian e vim saber de você e com a
delicadeza de um anjo beijou minhas duas mãos juntas e me disse: eu sempre te
amei; nesse momento tudo rodou a minha mente, pois aquele jovem era meu colega
de escola que sempre dizia que iria casar-se comigo, então sorri. Passei a mão
no seu rosto e, muito fraca, adormeci.
Dorli Silva
Ramos



