segunda-feira, 1 de julho de 2013

Vida colorida (miniconto)



 Eu queria ter um pincel para pintar o céu bem colorido, o sol amarelo, as nuvens brancas como a neve e o arco íris, que nos visita após a chuva, a mesma que deixa a grama verdinha, tal qual em meus traços. 
 Depois, quando crescesse, queria ganhar um caderno, uma borracha e um lápis e, nesse caderno, escreveria toda a minha vida... Vida cheia de alegrias, felicidades, decepções e amarguras.
 Quando, já mais madura, com o caderno lotado de escritos e sem ter outro para completar os fatos do meu viver, usaria a borracha para apagar todas as vezes que dos meus olhos caíram lágrimas de dor, lágrimas de saudades, lágrimas de injustiças, lágrimas de abandono.   Sobrariam ainda alguns espaços para escrever que consegui vencer um itinerário de vida sofrido que me trouxe amor e felicidade.
 A duras penas, sobrevivi.


Dorli Silva Ramos

Da para esquecer??



Ninguém olvida um amor
Um beijo quente
Um sorriso irradiante
Um olhar com imensa paixão

Ninguém olvida o primeiro toque
O calor que transpira a pele
Um desejo desvairado da posse
Do doce e suave relaxar

Ninguém olvida a lua enciumada
As estrelas sorrindo o amor
Ondas batendo os corpos na areia
Uma louca explosão de amor

Ninguém olvida o primeiro filho
Que veio enfeitar a vida
Perpetuar nosso amor no futuro
À beijar nossos netinhos


Dorli Silva Ramos

Um grito de liberdade(miniconto)


Claude Nonet - soleil levant - 1872

 Não aguentava mais aquela vidinha estúpida que levava com minha família, onde minha mulher só resmungava e maltratava a mim e ao nosso filho, como se fôssemos propriedades dela.
 Meu garoto com sete anos e eu trabalhávamos de sol a sol, onde ela ficava só a conversar com as vizinhas.      
 Chegava, nem a cama estava arrumada, o jantar ainda por fazer e, sempre gritando: se quiserem que façam, pois não sou a empregada de vocês.
 Foi o último jantar que preparamos, meu filho arrumou a mesa com requinte e uma garrafa de vinho foi colocada na mesa para acompanhar nosso jantar. Ela ficou espantada e perguntou: por que vinho? Estamos comemorando o quê? E eu respondi: a você, a mulher mais linda desse rincão, ela não disse nada, dos seus olhos caíram duas lágrimas de arrependimento.
 Jantou como uma leoa e gorda como uma anta, ali mesmo na sala dormia e roncava, enquanto eu e meu filho arrumávamos uma "trouxa" de roupa cada um e uns alimentos. Partimos silenciosamente...
 Pegamos um barco e sumimos dessa vida para nunca mais voltar. Nem quero saber o que aconteceu com ela, acredito que teve que trabalhar para comer.
 Hoje, meu filho já é um doutor e eu me orgulho muito dele, pois lutamos muito para conseguir viver n'outro lugar desconhecido e eu? Conheci Isabela, uma doce mulher e uma excelente mãe.
 Não houve outro jeito, tive que dar um grito de liberdade, hoje sou um homem realizado e feliz.

Dorli da Silva Ramos

domingo, 30 de junho de 2013

Divagando em emoções(miniconto)




 Às vezes, venho aqui nesse paraíso paradisíaco para divagar minhas emoções, apesar de ainda ser jovem, da para escrever um livro de vivências concretizadas e outras que ficaram só na ilusão.
 Aqui é um palco solitário, onde eu posso divagar minhas emoções fincando nas ilusões da vida, uma vida cheia de projetos inacabados. Preciso urgentemente concretizar meus sonhos, ora o tempo passa paulatinamente, mas passa...
 Um amor que antes cheio de anseios, acabou por minha estupidez, vou tentar resgatar, de dentro do meu coração aquela leveza de saber amar. Ele me espera com seu coração ferido pela dor do abandono.
 Aqui, o silêncio conversa comigo, me da esperança de mudanças para ser feliz como há tempos, com toda a intensidade do meu coração.
 Para esse palco solitário dou adeus, vou cuidar de mim, pois mereço ser feliz junto com alguém especial que me ama.


Dorli Silva Ramos