quarta-feira, 3 de julho de 2013

Meus delírios (miniconto)



 Cansada da solidão do quarto fui deitar-me na sala ao som de uma música leve. Adormeci. Não sei por quanto tempo fiquei nesse transe no sofá, pois acordei pior que antes. Um vazio tomava conta da nossa casa, antes enfeitada com seu cheiro, seu perfume inebriante que me deixava louca de desejos.
 Uma noite infernal, fui até a cozinha, parecia que tudo se movimentava: os lustres, as mesas os copos a tilintar, então, abri a janela e estava chegando uma ventania, fechei-a depressa, corri para o quarto, enrolei-me no cobertor e comecei a chorar meus delírios. Via vultos e sons de choro de crianças. Pensei: estou louca.
 De repente ouvi um abrir de uma porta e estático na porta do quarto, iluminado só com um abajur, deu para perceber suas lágrimas que corriam seu rosto. Estava arrependido.
 Então disse: venha me amar

Dorli Silva Ramos

terça-feira, 2 de julho de 2013

Na tua leveza



Na leveza do teu andar
Areia seduzida pelas marcas
O mar quieto e sombrio
A te vigiar

Equilibrando na areia morna
Estás a brincar na praia sombria
A solidão do mar aprecia
 Tua magia de mulher

O vento leve passa por perto
Da mais brilho no caminhar
Tu brincas tal criança
És leve como a brisa

Silhueta de mulher jovem e bela
Que encanta só a natureza
Se o mar pudesse te enamorar
Te levaria pro fundo do mar

Dorli Silva Ramos

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Vida colorida (miniconto)



 Eu queria ter um pincel para pintar o céu bem colorido, o sol amarelo, as nuvens brancas como a neve e o arco íris, que nos visita após a chuva, a mesma que deixa a grama verdinha, tal qual em meus traços. 
 Depois, quando crescesse, queria ganhar um caderno, uma borracha e um lápis e, nesse caderno, escreveria toda a minha vida... Vida cheia de alegrias, felicidades, decepções e amarguras.
 Quando, já mais madura, com o caderno lotado de escritos e sem ter outro para completar os fatos do meu viver, usaria a borracha para apagar todas as vezes que dos meus olhos caíram lágrimas de dor, lágrimas de saudades, lágrimas de injustiças, lágrimas de abandono.   Sobrariam ainda alguns espaços para escrever que consegui vencer um itinerário de vida sofrido que me trouxe amor e felicidade.
 A duras penas, sobrevivi.


Dorli Silva Ramos

Da para esquecer??



Ninguém olvida um amor
Um beijo quente
Um sorriso irradiante
Um olhar com imensa paixão

Ninguém olvida o primeiro toque
O calor que transpira a pele
Um desejo desvairado da posse
Do doce e suave relaxar

Ninguém olvida a lua enciumada
As estrelas sorrindo o amor
Ondas batendo os corpos na areia
Uma louca explosão de amor

Ninguém olvida o primeiro filho
Que veio enfeitar a vida
Perpetuar nosso amor no futuro
À beijar nossos netinhos


Dorli Silva Ramos