Dor de amor parece que não tem fim, remendando as
emoções, as quais sufocam meu ser com uma dor que dilacera meu coração de
saudades tuas, pois partiste sem pelo ao menos me dizeres o motivo. Minha alma,
que se encontra em luto, chora o teu abandono. Faz dois
meses que não a vejo e não tenho notícias tuas, levou tua aliança deixando a
minha com a dor da solidão.
Sozinho, ajeito o banquinho perto do piano, pego a partitura e
começo a tocar... Mas o que emana da dança dos meus dedos sobre as teclas do
piano não é a nossa canção de amor, aquela do Chico, mas sim aquela música do
Chopin que tanto te sugava, que tanto ouvi assoviada da tua boca durante os
momentos mais sombrios de nossa relação... A minha sempre temida Sonata nº2:
Enquanto toco, a rosa começa a murchar... Chegando ao ponto de se
despetalar ao sentir minha dor. Pela janela entra um vento forte e as fazem
flutuar e saírem. Talvez, lá no alto do céu peçam as
nuvens uma chuva fininha para se misturarem com minhas lágrimas de saudades.
Nisso, ouço passos lentos adentrar minha sala e teu perfume
começou a fazer bater forte meu triste coração. Paro de tocar, olho para trás e
quase desfaleço: És tu Silvia?
Voltei, amor! Não consegui viver sem ti e tuas músicas que tanto
alegravam meu coração. Esta música tu nunca mais tocarás, pois não quero
lembrar que um dia abandonei o homem que sempre me amou e também eras amado por
mim.
Dorli Silva Ramos



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