Na sala
esperava alguém para comigo brindar a passagem do ano de 2012. Como era de
costume , ela vinha toda de branco, enchia as duas taças de vinho.
Olhava o
relógio, era exatamente meia noite, os ponteiros cruzavam e o cuco transbordava de alegria
à respirar o ano que iniciava e, num ímpeto a campainha tocou. Era ela... saí a
passos largos e ao abrir a porta, uma decepção: um mensageiro com uma carta, ao
abri-la desfaleci, pois nela estava escrito: cansei da sua taça de vidro e de
seu vinho tinto, estou com outro numa mansão brindando a chegada de 2013
e, nesse exato momento degusto do champagne francês em intervalos com
cerejas e beijos apaixonados.Enlouqueci.
Vagarosamente
caminhei até a mesa, olhei as taças que estavam numa cristaleira artesanal,
peguei uma , lavei-a e coloquei encima de uma simples mesa. Sentei-me, enchi a
taça com um vinho tinto barato, da cor do sangue, dar cor do ódio e, num súbito
fechei uma das mãos, dei um soco na taça, devo ter desfalecido.
Num
hospital particular, percebia estar e via vultos, recolhendo cacos de vidro do
meu corpo. Suei de medo. Será que estou morrendo? Ouvia uns murmúrios dentro do
meu corpo e pude ver cacos de vidro brigando para sair primeiro de dentro do
meu corpo, foi quando ouvi um caco dizer: Como os humanos fedem por dentro, se
eles sentissem seus odores fétidos, não seriam tão orgulhosos. E um a um com
pressa, chegava perto das pinças para serem retirados, foi aí que ouvi alguém
dizer: esse está limpo.
Acordei da anestesia e vi meu irmão, que por
sorte era muito rico, veio ao meu socorro.
Conversou
baixinho comigo e me deu um conselho: mano mulher nenhuma merece tal sacrifício
o qual submeteu, pois a vadia da sua namorada era minha amante e vi
quando ela escreveu o bilhete deu para eu ler e riu da sua desgraça. Ela não
sabia que éramos irmãos.De repente ouvi uns gemidos. Era ela! A vadia que eu
amava, quero matá-la... O irmão sorriu e disse:
-
Não vale a pena, mulheres como estas merecem sofrer mendigando uns tostões para
sobreviverem, olhou para mim e sorriu. Senti firmeza nas sua palavras, nisso
estava morrendo de sede.
A
enfermeira, toda de branco, trouxe-me numa bandeja um copo com água cristalina.
- Não, disse à enfermeira, de hoje em diante, só tomo bebida em caneca de
alumínio.
Dorli da
Silva Ramos




