sábado, 12 de janeiro de 2013

Sua ironia me deu coragem...





Pois a covardia no nosso relacionamento foi somente sua, eu sempre fui verdadeira e você usou seu sorriso como uma ironia para me machucar. Mas agora chega, é hora de sair pela porta da frente para nunca mais voltar. Quando íamos a festas, no nosso grupo existiam mulheres lindas e você dizia com tom sarcástico que eu era a mulher mais linda do universo, com um sorriso irônico.Fui engolindo seu sorriso, sua ironia. Sabe  o por quê? Por que sou uma mulher inteligente e ela não me atinge e nesse ínterim eu saí ganhando mais que você na partilha dos bens, pois teve que me pagar por toda a sua maldade a qual me sucumbiu.

Não adianta querer me agradar agora, mesmo que esteja arrependido, é nesse arrependimento que meu consolo se aquieta ao ver seu rosto branco pela perda.Não guardo rancor, pois daqui pra frente quero ser mais eu e ser respeitada, assim como mereço.
Mesmo na hora do amor, queria que eu uivasse como se eu fosse uma loba num fogaréu, só para zombar de mim, pois sabia que era uma mulher normal e só chegaria ao clímax se fosse com carinho. Você me usou, mas acabou.

Você era mau, zombava da forma de me vestir, de andar e de falar e, por muitas vezes, beliscou meu braço até sangrar, pois não tinha a sua cultura no falar. Você sabia, tentei melhorar, lia livros, mas sempre dizia que eu era uma caipira de sorte por ter me casado com você. Agora, que se dane, quem saiu na melhor fui eu, não temos filhos para serem divididos, frutos dessa ironia nojenta.

Sabia que me traia com outras mulheres, você gostava de ouvir os uivos fingidos das amantes e, depois de satisfeito, jogava em suas caras o preço alto da luxúria. Elas não estavam nem aí com você, queriam apenas o seu dinheiro, seu imbecil... Agora vem me pedir que eu não vá?
Vou e nunca mais voltarei, pois você cavou o abismo entre nós com a sua indiferença. Agora que se dane.


Dorli Silva Ramos

Clamor à natureza furiosa...





Venham furiosas nuvens negras
Não tenho medo das suas destruições
Venham acabar com meu sofrimento
Venham tirar-me dessa magoada solidão

Não tenho mais vontade de viver sofrendo
Meu peito dói a lança que enfiaram em mim
Dilacerou meu coração aquele bandido amor
Destrua minha vida, mas leve a dele também

Quem és tu a praguejar sua vida? Disse a pomba
Você foi feita para reinar, atravesse o morro e verá...
Um suntuoso castelo e um príncipe está a esperá-la
Não se deve chorar por quem não nos ama mais

Descalça desceu o pequeno morro, deslumbrou...
Num cavalo negro, um jovem dourado apareceu
Suba para a minha vida, disse o jovem cheio de amor
Vamos viver nosso amor e loucuras longe daqui

 Dorli Silva Ramos

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pingos de esperança


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Enquanto tu puderes ouvir o gotejar no telhado, sentires  o cheiro molhado da terra, vires o Sol, 
sintas um ser privilegiado, tu estás vivo.
Enquanto tu vires o nascimento do sol brilhando no horizonte,
sintas o presente do Criador por mais um alvorecer.
Enquanto tu sorrires tal uma criança, sentires a fragrância das flores do teu jardim,
 sintas ser agraciado, pois teu coração ainda bate pela vida.
Enquanto tu sentires saudades de alguém, dos seus trejeitos ao falar, 
sintas teu coração aliviado, pois teus bons sentimentos não acabaram.
Enquanto tu conseguires te olhar no espelho e sentires que tua vida valeu a pena,
sintas os resultados dos teus bons feitos nas trilhas das tuas rugas.
Enquanto tu acompanhares a exuberante saída do pôr do sol,
sintas que a beleza da natureza ainda brota no teu coração.
Enquanto ouvires o barulho do vaivém das ondas do mar e o seu cheiro,
sintas a delícia da água gelada molhar teus pés, pois ainda consegues andar.
Enquanto tu sentires a brisa gelada molhar teu rosto cansado  e suado pela labuta da vida,
sintas que a vida te sorriu, dando-te momentos únicos.
Enquanto tu conseguires sorrir para teus amigos que vierem te visitar,
sintas que tu realizaste na vida só alegrias para teu viver.

Sintas que eu te desejo tudo isso!!!
e um belo alvorecer
todos os dias



Dorli Silva Ramos

Chuva que molha a terra e meu coração.


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Andando à toa pela estrada da natureza
Uma chuva fina começou a cair no meu ser
Debaixo de uma frondosa  árvore pus-me a pensar
Enquanto via os pingos caírem nas folhas a sorrirem

Bem lá no fundo do meu coração comecei a recordar
O tempo triste que morava no sertão, onde chuva fugia
Adorava minha moradia, um casebre de pau-a- pique
Mas chorava a fome da família, peito dilacerado, saí.

Vim morar pras bandas de cá, onde a chuva é boa
Minha rocinha verdinha, gado pastando e família feliz
Logo que a chuva passar vou seguir até minha roça
Lugar lindo, nascente com águas cristalinas à jorrar

À noite, na varanda, pego meu violão e choro saudade
Saudade do meu sertão e amigos que lá esperam chuva
Cartas mando para lá e amassadas voltam para mim
Amigo, sou sertanejo turrão, mas não deixo meu sertão

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Dorli Silva Ramos