Hoje, acordei com uma louca vontade de modificar o mundo, pois ele está sem o brilho que antes era natural, peguei meus imaginários lápis coloridos e sentado no quintal da minha casa comecei a pintar.
Pintei todas as folhas secas das árvores de verde, assim como a relva e nos pomares, as frutas ficaram tão viçosas que tinha dó até de comê-las, cada uma com seu lindo colorido natural.
Deixei o sol num tom bem amarelo, para que os raios solares brilhassem como ouro, a chuva deixei de branco, mas quando era fina suas gotículas eram da cor do arco-íris que despontava no horizonte. Um espetáculo!
Ah! O mar pintei-o de um tom azulado sombrio e mais longe o oceano era bem esverdeado, só não mudei a cor branca das grandes borbulhas das ondas do mar.
Saí pelas ruas da cidade pintando todas as casas, praças, roupas dos transeuntes que gostaram das suas novas aparências. As pessoas sorriam e o branco aperolado dos seus dentes ofuscavam uns aos outros, tamanha era a beleza. Os faróis aumentei de tamanho e intensifiquei com as mesmas cores e quando o vermelho aparecia só se ouviam freadas. As faixas de pedestres eram de fundo branco, pintadas com as cores quentes e, nesse instante, todos atravessavam sem atropelos a imensa avenida.
O amarelo demorava mais para trocar de cor, para que os cadeirantes, idosos e os com problemas de visão pudessem terminar suas travessias em tempo hábil. Chegando à noite, ela não era tão escura e os bandidos com suas roupas coloridas deixavam de fazer suas trapaças e o povo podia apreciar a noite e as estrelas que as repintei de cores mais fortes. Não mexi com a lua, pois ela sempre foi exuberante, a lua dos eternos apaixonados.
As nuvens tanto durante o dia e a noite eram branquinhas, mas quando a chuva queria molhar a terra elas ficavam mais escuras.
Então, pintei o mundo com o colorido do amor, da paixão, da solidariedade humana e, todos em uma só voz gritaram: MARAVILHA!
Dorli Silva Ramos