segunda-feira, 18 de março de 2013

Ausência de ti




Nos deliciamos de prazeres da vida
Penso em ti há meses dia e noite
Nos teus beijos 
Beijos molhados quentes de paixão

Mãos atrevidas à deslizar meu corpo
Onde rolávamos na grama molhada
Urgindo nossos loucos delírios
Nosso amor era único e explosivo

Lua e estrelas no céu sorriam
Tu me pegavas no colo me cheirava
Cheiro de mulher ardente e louca
Hoje só, partiste e estou a te esperar

Nunca mais voltaste ao nosso ninho
Onde comungávamos de loucuras mil
Ao pôr do sol ficava a te esperar
No alvorecer choro os teus carinhos

Olho o céu e chuva começa a cair
Vou molhar meu corpo quente
Sufocar a vontade de ti
Dormir na relva gelada e molhada

Com minhas lágrimas sofridas
Sinto teu cheiro de homem sedutor
Um tremor frenético me acordou
Voltaste
Nos deslizamos em prazeres


Dorli Silva Ramos

Ah! Que saudade do meu país! (miniconto)




Quando me lembro de ter deixado meu país por força maior, me da uma tristeza danada, pois lá nunca tinha colocado os pés na terra. A cidade era rodeada de água por todos os lados, não havia acidentes de carros, eles inexistiam lá, só pequenas embarcações para transitarmos ao mercado, à igreja, as festas e à noite ao lindo teatro. Não perdia nenhuma peça e dávamos, eu e meu marido, uma esticada até o conservatório musical.
Quanta beleza e delicadeza tinha minha cidade! Nossa casa era linda, de muito bom gosto e sentados na sala podíamos ver os raios solares baterem na água e refletir todo nosso ambiente.Aquele brilho natural não tinha preço, era inigualável e carismático.
Na minha cidade todos tinham bom gosto com os móveis, com as roupas e, aos domingos as balsas trafegavam uma pertinho da outra, todos queriam ir à igreja, onde íamos agradecer a Deus por tanta felicidade.
Como será que está a minha cidade, o empecilho passou e iremos voltar ao nosso lar que ficou todo lacrado na hora da rápida partida. Nem quero pensar o que encontrar lá...
Peço a Deus que ele tenha preservado nossa sala, onde o sol, através da água, refletia seus raios solares.
Ah! Essa saudade que mata, só não matou nossa esperança de voltar. Adeus a todos...


Dorli da Silva Ramos

domingo, 17 de março de 2013

Lágrimas de amor






A lágrima que cai dos meus olhos
Me enlouquece de saudades de você
Nessa noite, a lua chora as estrelas
Que de tanto me ver chorar, dormiram

Meu amor, vou inundar um oceano
A cada lágrima perdida por você
Meu coração não consegue bombear
Engrossando minhas veias de amor

Sua pele morena me deixou em devaneio
Lábios grossos e vermelhos a me beijar
Seu hálito embebia minhas entranhas adentro
Ah! Quantas lágrimas ainda irei derramar?

Aqui estou minha linda e chorosa morena
Fui, mas levei comigo o seu cheiro de paixão
A saudade eu matei, cheguei antes do adeus
Será sempre minha deusa chorosa, só para mim


Dorli Silva Ramos

Eu sou a sua sombra( ficção)




Todas as noites eu acordo e saio à vagar uma estrada que não tem fim, tendo como fiéis companheiros os urubus que choram minha sina, pois eu morri no dia do meu casamento. Morri não, fui assassinada por ex -namorado que não se conformava de me ver com outro amor.
Estava linda no altar, toda de branco, feliz pois ia me casar com o homem da minha vida e, de repente só se ouviu um estampido, não vi mais nada.
Não era o dia da minha morte, portanto só via meu corpo lindo estirado num caixão todo enfeitado de rosas brancas e meu noivo se debulhando em prantos, minha família desolada, chorando um choro doída da perda da sua única filha. Eu não estava mais naquele corpo e tudo via e pude saber quem realmente me amava.
E minha sina continuou, passando da meia noite, saio da tumba e caminho aquela estrada fria, não parece noite e também dia. Um lugar assustador.
Fiz essa vida por três anos, pois, nesse dia, ao sair da tumba encontro meu amor. Perguntei-lhe: morreu do que? Meu amor, não aguentei a saudade e me suicidei para ficar junto de você.
Agora somos duas almas que se amam vagando a mesma estrada em companhia com os urubus; dois espectros choramingando lágrimas de dor por não termos concretizado o nosso amor.
Eles sempre estão nessa mesma estrada, se por acaso passarem por eles não tenham medo, nada lhes farão...


Dorli da Silva Ramos