terça-feira, 18 de junho de 2013

Poeta apaixonado




Sou poeta apaixonado
Dou vida aos amantes
Beijo seu corpo lindo
De você sinto ciúmes

Um amor enlouquecido
Me perco nos seus ais
Como cão vil bandido
Afastar de você jamais

Bebo sua alma bandida
Entrelaçando os corpos
Vislumbro já embebida
Nos cheiros dos desejos

Sol acorda os amantes
Pelas frestas da janela 
Chuveiro é a despedida
D'um até breve ilusões



Dorli Silva Ramos

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Monólogo de uma solitária



- Que faço eu nesse castelo
escuro
gelado
sozinha
-Que faço eu nesse castelo
sem amor
sem beijos
Sem paixões
-Que faço eu nesse castelo
sem rei, sem coroa
com tumbas
com mortos
-Que faço eu nesse castelo
sem perfume
sem sonhos
sem esperança
-Que faço eu nesse castelo
sem o sol
a lua
o mar
-Que faço eu nesse castelo
sem as veredas
as campinas
as mananciais
-Que faço eu nesse castelo
se a solidão
do desespero
me matou
-Que faço eu nesse castelo
só com o brilho
das estrelas mortas
como eu?

Dorli Silva Ramos
                        
   

Meus sonhos ( ficção )



Muitos sonhos tive
Poucos foram realizados
Não consegui ser modelo
 Mas fui uma linda esposa

Sonhei ser pianista clássica
O máximo que consegui
Foi tocar violão
Feliz, pois criava as letras

Quis ter uma enorme casa
Para abrigar muitos filhos
Consegui construir um casebre
E apenas uma filha

Sonhei ser inteligente e bonita
Tive as duas coisas
A beleza se esvaiu com o tempo
A inteligência, hoje é meu consolo

Nem tudo que se sonha
Podemos realizar
Se a frase de Steve estiver certa
Mais da metade do meu futuro
Ficou no lamento, não existiu

Dorli Silva Ramos

domingo, 16 de junho de 2013

Desilusão ( ficção )



 Saio perambulando pelo caminho num sítio, mas não estou só: a desilusão é minha companheira diária, ela não tem dó, machuca com desenganos advindos d'uma pessoa que quero bem, arrebenta minha vontade de chorar, derruba minhas lágrimas de saudades e sofro dia após dia sem saber se um dia essa dor vai passar.
 É uma vontade louca de dizer: venha, vamos juntar nossos corações sofridos, pois sei que também sofre por sua intransigência que fere nosso viver.
 A desilusão me faz cegar as belezas naturais, meu pensamento está obstinado a você, só você é minha luz, meu caminho florido, minha vontade de viver.
 Não sei quem vai morrer primeiro: eu ou você. Por quê?


Dorli Silva Ramos