sábado, 22 de junho de 2013

Minhas noites(miniconto)



 Minhas noites são todas iguais...Partiste para nunca mais voltar, deixando-me sufocada de desejos, acalmados com frias águas do mar. Meu pensamento chega até o teu e, inexplicavelmente, meu coração aquece. Afinal tu permeias minha saudade, minhas noites solitárias. Às vezes, sinto o teu cheiro, o mesmo cheiro que impregnou meu corpo sedento de amor, de carinho e de paixão.
 Hoje a noite está fria. Até a lua e as estrelas esconderam-se atrás das nuvens para não ver meu sofrimento e, totalmente só, choro minha saudade e minha solidão.
 Adentro nossa casa, tudo está perfeitamente do jeito que tu deixaste: teu chinelo na soleira da porta, teu roupão dependurado no banheiro...O  sabonete perdeu o cheiro, afinal secou tal qual meu coração.
 De repente, toca o telefone...Reconheço tua voz, minha taça de champagne cai no chão e grito: És tu, meu amor? Do outro lado alguém responde: desculpe moça, foi engano.


Dorli Silva Ramos

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Minha sensibilidade(miniconto)



 Há dias que me encontro assim, leve como um beija-flor, e rápida em meus devaneios. Parece que toda minha vida está hoje presente para comemorar minha satisfação de viver. Sou perfeita, aqui no meio de alguns arbustos, sinto o perfume da rosa vermelha e parece que ela chega até a mim sorrindo de satisfação, pois sabe que é amada pela sua beleza e perfume que exala e encanta.
 Sempre com os olhos fechados tenho a impressão que estou assistindo a um filme, no qual sou a bela protagonista, com meus vinte anos, esbanjando sedução e amor aos telespectadores. Vejo em cada um o brilho de seus olhares e a ansiedade de poder apenas tocar em meus cabelos.
 De repente, meio atordoada, levanto-me desse lugar, esquecendo de segurar o véu vermelho, a cor da paixão que cobria a minha nudez. Não havia ninguém, só eu e minha sensibilidade.

Dorli Silva Ramos

Encontro marcado



Vesti-me de donzela apimentada
Bebi uma taça de vinho à esperar
Nosso louco encontro de luxúria
Você não veio, estou angustiada

Tomei mais uma taça desse vinho
Desisti de esperá-lo fui pra cama
De repente ouço o ringir da porta
Entrou desesperado e esbaforido

Abraçou-me com loucura, atrasou
Seu carro quebrou e veio correndo
Degustando suave vinho me beijou
Deixou-o escorregar pelo meu colo

Me tomou como uma mulher vadia
Engoliu toda a minha louca paixão
E nesse vaivém de amor amanhecia
Viveu a noite, acenou-me com a mão


Dorli Silva Ramos


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Poetizando a vida ( miniconto )



 Meu nome é Nely, todos os dias perto do pôr do sol, já toda enfeitada e bela abro a janela e vou dar boa noite ao sol, pois a lua vagarosamente desponta no horizonte, fico ansiosa para ver no escuro do céu e ela toda formosa em companhia de muitas estrelas coloridas e também algumas nuvens teimosas que persistem em ficar a me enamorar.
 Eu amo a noite, pois a lua me sorri, as estrelas clareiam os meus devaneios e a escuridão amedronta as ondas do mar que chorosas batem furiosas na praia. Então, fico a pensar como a natureza é fantástica, cada parte dela faz seu trabalho sem reclamar e nós a toda hora reclamamos que a vida não é boa.
 Nós envelhecemos, aposentamos e descansamos. Levantamos já reclamando que está frio ou calor e a natureza faz seu trabalho interminável e ainda da magia aos poetas apaixonados.
 Vamos cuidar das belezas que Deus nos deu, pois um dia tudo isso irá terminar e de nada irá adiantar o nosso clamor.


Dorli Silva Ramos