quarta-feira, 6 de maio de 2015

Um amor peculiar





Nesse velho caderno a vida escorrega
Minh'alma gêmea há tempos sucumbiu
Ainda na metade de sua vida desagrega
 Bem no meio foi que a rosa avermelhou

Tão linda, meiga e aveludada como a rosa
A sua pele sensual e perfumada, amarelou
Duro instante minha lágrima na flor goteja
Recordo nossos beijos, uma dor, voz calou


É noite e, na solidão da sala ao som do nada
Saio em duros prantos ao frio da pequena brisa
Mãos trêmulas, coração estremecido, já cansou

 Não tivemos nenhum filho, hoje a dar alegria
Ouço barulho, entra uma criança, me consolou
Ninguém tenho, ouvi um lamento, aqui estou
  


terça-feira, 5 de maio de 2015

O ódio- miniconto




O ódio é um veneno que se coloca num vidro sem fundo para disseminar no coração da maioria das pessoas, parecendo um relógio que pinga as horas, uma a uma vagarosamente.
O ódio quando impregna uma pessoa, ele tem pressa de encontrar uma presa para fazê-la engolir mágoas, vergonhas e mentiras bem manipuladas e ainda por cima carrega consigo uma leva com a suavidade de suas palavras para a crença das suas "verdades".
Quem odeia um dia bebe do seu próprio veneno, pois nunca teve pressa para amar e a vergonha nem queima seu rosto, pois seu coração rumina ódio. É uma doença contagiosa.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Poema ao amor!



 romantic kiss anime



Na vida nada é por acaso
O amor mui verdadeiro
Pode demorar anos
Mas ele vem com planos

Planos de amor eterno
Com loucuras e desejos
De paixões em desvarios
De lições sem lamentos

Na saúde é só festa
Na triste dor é aconchego
Amor a gente ganha
Na dor não pede arrego

Já velhos de vida a dois
Quem morrer não sofrerá
Quem ficar pra depois
Chorará e não esquecerá




domingo, 3 de maio de 2015

Mistérios do além - miniconto


 your body is a temple of the holy 

Ó Sol, tão longe está de mim e embebido em clarear o mundo que esquece que aqui estou em loucura de devaneio, querendo saber os mistérios do além.
Sol, me diga: o que acontecerá com as almas quando ficarem vagando no mundo sem nenhuma conhecer a outra? Você me chega tristonho e diz que mistério não se pode contar, então, que eu escreva em folhas ao vento as minha convicções.
Nisso passou um sabiá e sentindo minha indecisão pediu que eu não perdesse tempo em saber como seria o além, que vivesse o hoje, embora desigual e discriminado, pois nas paredes do futuro ninguém saberá de nada. Cada um tem um desfecho e o dele seria o vazio do tudo.
Não é possível sabiá, já soltei algumas folhas ao vento e nelas diziam que em pouco tempo todos sem distinção iriam se encontrar no além e viria alguém com a maciez de uma voz encantada nos receber.
Haverá um outro mundo lindo, onde todos os escolhidos iriam viver as belezas do inusitado.
Na porta, alguém escolheria os bons, a fila seria enorme, pois todos estariam mortos. Os pouquíssimos bons entrariam por essa porta e se deslumbrariam com a beleza do lugar. Todos ganhariam um corpo diferente, mas belo e morariam num lindo lugar que tudo era só pedir. Uma maravilha!
Todos viveriam e se respeitariam como irmãos e se deliciariam d'uma natureza farta e nunca mais haveria dor e nem ringir de dentes. 
E os outros? Virariam pó a sumir com uma triste ventania.