Nessa metrópole deixei minha juventude,
emprestei minha beleza, minha inteligência, minha força física e mental, perdi um amor, meus anos de "glamour", mas o tempo passou e me carregou junto com ele. Aí senti saudades...
Saudades do meu pequeno rincão, saudades dos
campos floridos, hoje circundados com os canaviais, saudades das bicas d'águas,
onde bebia dela, pura, com as mãos sujas, saudades das fazendas onde nadava no
açude, andava a cavalo e ia nos arrasta-pé nas festas juninas.
Antes tivesse ficado lá. Voltei com meu filhinho, chorei uma
cidade diferente, ninguém mais cá tem tempo de conversar, é só comprar, invejar
e se endividar. Muitos amigos nunca mais os vi: morreram. Aí chorei, pois se
não tivesse ido pra cidade grande, não teria essas saudades.
Quis conhecer "outro mundo" e cozinhei
saudades. Minha vida foi uma enxurrada de desgostos que afoguei aos poucos no
nada, já que voltei, tive que me adaptar, arrumei um outro emprego, novo amor que me faz
feliz, pois só o amor da sentido a vida.
Vou fazer uma lavagem cerebral no meu passado,
houve momentos bons, mas cá no meu rincão há felicidade diariamente: minha família; pois Deus me presenteou com um amor inusitado.



















