quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Somos vidros com vidas...






Somos grãozinhos de areias e, não longe, grandes pás nos jogam em caminhões para nos levarem a fábricas de vidro sem nenhum dó, eu, particularmente sou o pontinho menor que se encontra numa praia ou uma duna deserta ou em solos arenosos. Ao chegarmos à fábrica o sofrimento começa, nos separam e vamos para a fundição. Meu Deus! Penso. Vão nos derreter e sentindo um calor insuportável, todos os grãos chegam a desmaiar.

Pronto, tudo consumado...Nos tornamos lindas taças de vidros para enfeitar as festas, principalmente as de finais de ano e nos  enchem de vinho, outros de champagne francês, enfim cada um tem o seu gosto.

Algumas taças, como nós somos de sorte, moramos numa mansão de bordeaux, onde há muitas mulheres bonitas e homens elegantes, todos perfumados e aos pares em mesas, nos pegam, nos cheiram, nos  beijam para degustarem vagarosamente até o seus corpos esquentarem, depois nos deixam abandonadas nas mesas e saem para concretizarem suas paixões, ficamos enciumadas, mas inebriadas pois beijamos muitos lábios quentes e coloridos.

Bebemos as ilusões dos noivos nas festas de casamentos, quantas mentiras eles prometem e, depois de alguns anos bebendo o amor, nos abandonam num cantinho qualquer à beber o fel da separação. Só não há briga na separação das taças de vidros, mas nós duas acostumadas a bebermos desse amor, nos estilhaçam no  chão fazendo de nós cacos que serão jogados em lixões. Foram as nossas mortes.

Mas, sempre haverá um consolo para os vidros em geral, pois eles não se transformam só em taças e sim em: copos grandes, pequenos, enfeites  suntuosos, aparelhos domésticos, enfim continuamos com nossa descendência a brilhar o amor, a festa de final de ano o belo reveillon.

Portanto, a vida dos vidros não é muito diferente das dos humanos, a única diferença é se um copo de vidro quebrar, outro no lugar surgirá e não é assim que acontece com os humanos


Minha simples participação a convite da Cris Henrique: 
Partindo de um copo de vidro

http://www.oquemeucoracaodiz.blogspot.com.br


Dorli da Silva Ramos


O gosto amargo do vinho




 Na sala esperava alguém para comigo brindar a passagem do ano de 2012. Como era de costume , ela vinha toda de branco, enchia as duas taças de vinho. 
Olhava o relógio, era exatamente meia noite, os ponteiros cruzavam e o cuco transbordava de alegria à respirar o ano que iniciava e, num ímpeto a campainha tocou. Era ela... saí a passos largos e ao abrir a porta, uma decepção: um mensageiro com uma carta, ao abri-la desfaleci, pois nela estava escrito: cansei da sua taça de vidro e de seu vinho tinto, estou com outro numa mansão brindando a chegada de 2013  e, nesse exato momento degusto do champagne francês em intervalos com cerejas e beijos apaixonados.Enlouqueci.

 Vagarosamente caminhei até a mesa, olhei as taças que estavam numa cristaleira artesanal, peguei uma , lavei-a e coloquei encima de uma simples mesa. Sentei-me, enchi a taça com um vinho tinto barato, da cor do sangue, dar cor do ódio e, num súbito fechei uma das mãos, dei um soco na taça, devo ter desfalecido.

 Num hospital particular, percebia estar e via vultos, recolhendo cacos de vidro do meu corpo. Suei de medo. Será que estou morrendo? Ouvia uns murmúrios dentro do meu corpo e pude ver cacos de vidro brigando para sair primeiro de dentro do meu corpo, foi quando ouvi um caco dizer: Como os humanos fedem por dentro, se eles sentissem seus odores fétidos, não seriam tão orgulhosos. E um a um com pressa, chegava perto das pinças para serem retirados, foi aí que ouvi alguém dizer: esse está limpo. 
Acordei da anestesia e vi meu irmão, que por sorte era muito rico, veio ao meu socorro.

 Conversou baixinho comigo e me deu um conselho: mano mulher nenhuma merece tal sacrifício o qual  submeteu, pois a vadia da sua namorada era minha amante e vi quando ela escreveu o bilhete deu para eu ler e riu da sua desgraça. Ela não sabia que éramos irmãos.De repente ouvi uns gemidos. Era ela! A vadia que eu amava, quero matá-la... O irmão sorriu e disse:
 - Não vale a pena, mulheres como estas merecem sofrer mendigando uns tostões para sobreviverem, olhou para mim e sorriu. Senti firmeza nas sua palavras, nisso estava morrendo de sede.
 A enfermeira, toda de branco, trouxe-me numa bandeja um copo com água cristalina. 
- Não, disse à enfermeira, de hoje em diante, só tomo bebida em caneca de alumínio.


Dorli da Silva Ramos

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Procurando um amor





Nesse lugar sombrio e assustador
Onde árvores sonham com o nada
É nesse jardim opaco onde eu vivo
Impregnando-me de tristeza e solidão

Estou só, à procura de alguém especial
Que tenha um cavalo branco com asas
Para conhecer todos os reinos do mundo
Quem sabe pelo cavaleiro me apaixonar

Nesse instante ouvi um cavalgar diferente
Montado num cavalo branco, eu deslumbrei
Ao abordar-me disse estar a minha procura
Era um jovem lindo com os olhos cor de mel

Colocou-me no cavalo e  asas se abriram
Senti medo, segurei-me em seu corpo ardente
Debrucei minha cabeça nos seus ombros fortes
Descemos à noite numa relva e nos amamos

Dorli Silva Ramos

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Nunca esnobe um amigo...Sinta a sua dor...



Era mais ou menos vinte duas horas quando senti uma dor forte no meu coração, um nó na garganta, olhos tentando segurar lágrimas, que em vão, caíram molhando meu peito nu. Por que, meu amigo? Espero que nunca em sua vida você passe nem por perto desse sofrimento, que dói a garganta, o coração fisga e fica acelerado, mãos tremem de tanta dor. Gosta de matar as ilusões de amigos?
Amanhã é outro dia, outro ano e eu nunca mais vou saber de você, não quero, pois o sofrimento será atroz, talvez não aguente tamanho martírio.
Vá meu jovem amigo, vá tirando as alegrias e a bem querência das pessoas pelo mundo afora, vá somando desamores e mágoas, porém, enquanto você for jovem, é sutil, é o melhor, é o atrevido e, não sabe receber uma pequena advertência de seu amigo aqui que o quer muito. Quero mais não, sofrer não mais, chorar e molhar meu peito nunca mais, vou deixá-lo se enrolar na sua própria ousadia de querer ser o melhor, e mesmo sabendo que o é, não haveria de pisar na formiguinha que o elogiou com palavras lindas. Não me arrependo, pois você merecia que eu o enaltecesse e, se preciso fosse subiria com você até os céus, para aplaudir a sua vitória.
Mas, infelizmente amigo, não tenho forças para isso, pois seu punhal dilacerou meu coração e minhas lágrimas,  mesmo tentando segurá-las escorrem como um regato sem rumo, mas só quero que não esqueça que vários regatos formaram você um rio principal, hoje com com grandes afluentes e aquele regato não fará nenhuma diferença para você.
Mas, como na vida tudo passa, seu sucesso também irá passar, então, com a mesma meiguice que me conquistou, tentará resgatar o regato. Mas você chegará tarde, pois desse regato que bebeu suas águas cristalinas, secou. Daí virá o arrependimento fora de hora, mas agora já é muito tarde e nunca haverá de esquecer, que começou a beber água num pequeno regato e hoje tem um rio grande que poderá transbordar e, numa fúria jogá-lo nas suas correntezas. E agora, meu jovem, quem irá lhe salvar? O regato você secou e, nem poderei sentir sua morte, pois me matou antes do previsto, há muito tempo.


Dorli Silva Ramos

Alguém mandou dizer a você
Adeus