terça-feira, 23 de setembro de 2014

Um homem de sorte-miniconto



Quando tinha apenas sete anos, vivia em São Paulo com meus pais e irmãos debaixo de uma ponte na mendicidade. Era triste não ganhar presentes no Natal, a cidade reluzia e eu nada para comer. Meu estômago roncava a fome. Ô vida desgraçada.
Banho nem pensar, mas tinha algo no meu olhar e, quando refletia meu rosto num pedaço de espelho, sentia que algo bom iria acontecer comigo, pois a esperança era a cor dos meus olhos.
Com o pouco que conseguia ganhar dava para comprar: alguns pães e uns tomates amassados e ao chegar em casa sem dinheiro para a pinga dos meus pais, apanhava muito e corria para me esconder numa esquina qualquer.
Mas um dia tudo mudou na minha vida, um casal que sempre passava por mim, além de me ajudar, mudou radicalmente minha vida, pois quis adotar-me e minha mãe disse: pode levar, isso não vale pra nada. Chorei.
Depois de todos os papéis de adoção assinados sumimos para uma cidade da Região Sul. Lá eu cresci, estudei nos melhores colégios e o mais essencial: tinha o amor dos meus "pais".
Não contamos para ninguém o ocorrido, me formei, casei-me com uma mulher maravilhosa, tivemos os nossos filhos na bem querência e, o mais lindo detalhe: cuidamos dos velhos até a morte.
Sinto muitas saudades deles, meu amor por eles é tão intenso que nem um vendaval me fará esquecê-los.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Primavera 2014. Haicais





Não vingando a semente
A menina planta lindos corações
Sofre, mas oferece pra vocês

Mas ela queria sementes
Para nascer lindas flores coloridas
Cuidemos da natureza

Quiçá os adultos pensem
Na primavera que deixará pra nós
Ou amargaremos o choro da seca

****


Quando o Sol na Constelação de Virgem, cruzar o Equador Celeste nesta segunda feira; dia 22, às 23h29' estará acontecendo o início da Primavera no Hemisfério Sul.

Aproveitemos para pensar
O que estamos fazendo
Com a natureza


domingo, 21 de setembro de 2014

O dia da chegada - miniconto




Você estava longe, além mar, minha saudade parecia querer abraçar o oceano e, num ímpeto de loucura agarrei as mais altas ondas de um mar violento, que sorrindo levou-me até a uma linda praia deserta. Era noite, as estrelas brilhavam, estava desnorteada, praia vazia e senti um vazio no peito: uma saudade da lua, que me apareceu sorrindo. Nisso, a campainha toca, acordei assustada, adormecera no sofá, descalças, abri a porta; chovia.
Senti uma fragrância conhecida, desci rapidamente as escadas e ao abri o portão, não acreditei, pois vi meu amor, que desesperado de saudades, me pegou no colo e disse: amor, quantas saudades tive de você e, um longo beijo aconteceu.
Ao invés de entramos levou-me até um bosque perto para dizer-me: eu nunca mais vou deixá-la sozinha, pois não há nada para matar a saudade que sentimos do nosso lar. Vamos continuar vivendo nessa mesma casa, pois é aqui que mora a felicidade. Voltamos, tomamos um banho quente, nos amamos e; adormecemos.



sábado, 20 de setembro de 2014

Borbulhas das ondas do mar




Que belas borbulhas d'águas do mar
Comungando com a minha solidão

As ondas sopram e batem meu rosto
Suado, gelado de tanto sofrimento

O frescor das águas me faz pensar
Quão pequena sou diante dos dissabores

Muitos sofrem calados, abandonados...
Eu aqui a sofrer pequeno, diante d'um

Miserável mundo, injusto e discriminado
Despedindo-me do mar, agradeço

A sua bela lição de esperança
Que um dia seremos mais humanos

Como querem as pessoas de bem
Quiçá...Quiçá...Quiçá...

****

A partir de hoje meu blog será só para leituras
Não haverá opção comentar
Não vou deixar de  postar...
Mas será esporadicamente
Vou cuidar um pouco mais de mim
Obrigada a todos

Beijos