quinta-feira, 30 de maio de 2013

Adeus na estação



Hoje choro ao recordá-la na estação
Com seu lindo vestido vermelho
Na mão um lenço à enxugar as lágrimas
Que dos seus lindos olhos caiam

O tempo passou como um rio corrente
Deixando pra trás o meu amor
Hoje arrependido, velho, sinto saudades
Da cabocla linda que ficou na estação

Ainda ouço o apito do trem sossegado
Da alta janela beijou meus lábios
Prometi a ela que um dia viria buscá-la
Para ser a rainha do meu coração

Os anos passaram depressa, só lembranças
Já velho e debilitado sinto saudades
Da única mulher que chorava na estação
Meu coração ficou talhado de dor

Perdi meu amor por ganância
Pois fugi com uma mulher rica pra capital
 Me abandonou no meio do caminho
Só me restou a dor e solidão

Dorli Silva Ramos

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Rascunho de vida ( ficção )



 Fiz da vida um rascunho, aos poucos fui riscando no papel todos os meus anseios, meus namorados, os bailes ao som de músicas românticas, as paqueras com os músicos e a pausa para beber a cuba libre no bar do clube e retocar minha maquiagem no banheiro próximo. De repente a música começa, saio sorrateiramente do banheiro sem olhar para ninguém, sabia que era a jovem mais linda do baile.
Ao chegar ao salão, os jovens se aninhavam para dançar comigo e eu com desdém apontava o pretendido para dançar. Na quarta parada, ao sair do banheiro vi um jovem moreno escuro, com os olhos azulados, passei perto dele, ele me agarrou pela cintura e rodopiou o resto do baile. Sentia aquele perfume másculo e ficava louca de tesão.
Continuei o meu rascunho:
Cinco anos se passaram e não vivi o que rascunhei.Perdi a minha juventude....
Já meio balzaquiana continuei indo a bailes, mas parecia nada tinha o mesmo sabor: por mim passavam jovens lindas e eu sempre era a última a ser convidada a dançar. A música parava e eu ficava com minha cuba libre de um lado para o outro e, nada acontecia: estava envelhecendo, voltava do baile e chorava.
Continuei o meu rascunho:
Casei-me com um solteirão, vizinho meu, mas não podia ter filhos, pois com meus quarenta anos seria difícil a gravidez e não tinha idade para criar os meus filhos.E a vida foi passando depressa, meu marido morreu, fiquei só naquele casarão.Quem passasse por lá ouvia algumas notas musicais que tirava do piano.
O tempo passou e sentada numa cadeira de balanço na varanda da minha casa, peguei o rascunho da minha vida, li e reli várias vezes. Só houve um problema: a vida nunca saiu do rascunho daqueles papéis, eu nunca a vivi.


Dorli da Silva Ramos

terça-feira, 28 de maio de 2013

Lavagem cerebral...


                                                                             
Essa noite, ao dormir, quero fazer uma lavagem cerebral, esquecer de tudo e de todos que um dia passaram por mim, me amaram, me odiaram e me fizeram sofrer. Amanhã de manhã vou ser uma onda, portanto não terei sentimento ruim, nem nome, residência, vou morar em todos os cérebros que um dia tiveram contacto com o meu, podendo fazer só boas coisas a todos que de mim não tiverem medo. Medo de que? Uma onda? Ela é desprovida de sentimentos ruins, ela irá povoar seus neurônios todas às vezes que eu for solicitado para fazer o bem, se pedir o mal, farei no pedinte uma forte lavagem cerebral, irá virar uma criança que terá que se virar sozinha e aprender a ser boa. Quando o dever for cumprido, devolvo-lhe seus neurônios limpos e voltará para seu lugar.
Todas as noites sem prenúncio de chuva, ondas coloridas e cintilantes irão passar por todas as cidades do mundo: feche os olhos, se tiver medo, mas se não tiver peça algo inusitado que seja do bem, o seu pedido só será aceito se tiveres no coração um único adjetivo: o perdão, se desprovido dele, perde seu tempo, pois o perdão é só o que quero para fazer desse mundo, um outro onde pessoas irão se amar para sempre e nada faltará a ninguém.
Convenhamos que a matemática é exata, mas milhões de pessoas a usam para tentar driblar a outrem, mas a mim ninguém conseguirá, pois sou uma onda onde tudo sabe e pode tanto destruir o que for imundície, sobrando o amor e a alegria de viver.
Quando as mentes da maioria dos humanos quiserem que seus irmãos sejam como eles, então, o mundo será outro: não haverá disputa, inveja e só a compreensão e o amor sobreviverá em seus corações.


       Dorli Silva Ramos

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Meu país ( reedição )



O Brasil é por natureza lindo em algumas regiões. Ele ocupa a 6ª maior economia mundial, mesmo sabendo que é um dos países que possui mais água doce do mundo, a sua distribuição não é uma boa equação.
No Nordeste, há a seca que judia, mata o gado, as plantações e as ilusões dos pobres sertanejos e, não tendo outra alternativa, migram com suas famílias rumo a outros Estados, sendo o mais procurado o Estado de São Paulo.
Chegando na capital do Estado ficam maravilhados com a cidade grande e, têm a esperança de uma vida melhor e um bom emprego. Quantas ilusões de prosperidade. Decepcionam, pois com pouco estudo e, não tendo onde morar e nem emprego vão morar debaixo dos viadutos, deixando suas famílias à mercê dos bandidos que os oferecem a melhor faculdade, onde não precisa fazer cursinho, nem vestibular para entrar nela: É a Faculdade do Crime. Não é todo sertanejo que se submete a tais propostas e, muitos vão comer restos no lixão, vender sucatas para conseguirem voltar pro sertão.
Muitos migrantes vêm para as cidades do interior para o corte de cana, que está cada dia mais escasso, pois as máquinas tomaram os seus lugares; sobrecarregando os municípios dormitórios, vivendo em cortiços amontoados e fétidos, dando gastos extras para a municipalização como: saúde, moradia, alimentação e educação e, nessas cidades o número de criminalidade aumenta em grandes proporções. Existem pessoas de boas e más índoles em qualquer lugar.
O Rio Tietê atravessa o Estado de São Paulo. Há uns quarenta anos era navegável, suas águas eram límpidas e cristalinas: dava-se para nadar e pescar.
Em se tratando da capital, o Rio Tietê recebe toda a podridão das indústrias e o descaso de seus habitantes que jogam entulhos nele.
Quando se chega  à bela metrópole, passando quase que obrigatoriamente pelo Rio Tietê, sentimos um fedor podre que nos enoja  também nos envergonham pela sujeira, a beleza da capital.
Que país é esse que está se igualando aos melhores do mundo nessa lerdeza de concretização de projetos essenciais e, olhe que pagamos os maiores impostos.
O governo já recebeu projetos para a despoluição do Rio Tietê que ficaram guardados nas gavetas e, com certeza, já estão amarelados pelo tempo.
O Brasil deveria copiar sem desdém o exemplo de despoluição do Rio Tâmisa, na Inglaterra, onde hoje os peixes nadam, retirando o oxigênio de suas águas despoluídas, além da beleza dos passeios à barco enchendo o coração dos apaixonados de mais amor.
Por que no Rio Tietê não se pode fazer nada? Nem para os pobres sertanejos? Aonde foi parar a vontade política do  Brasil, lindo por suas belas paisagens?
Portanto, meus leitores, apesar de tantos problemas que temos, aqui ainda é o melhor país do mundo para se viver.



Dorli Silva Ramos