sexta-feira, 27 de junho de 2014

Boêmio



Onde Francisco acharia forças para suportar a perda de Verônica, sua linda mulher, que sem se despedir amanheceu sem vida numa manhã de carnaval? Nos vizinhos, talvez: nenhum amigo soubera do acontecido e, em pleno carnaval, Verônica desceu sepultura e de longe podia se ouvir o batuque do carnaval que mal havia começado.
Na saída do cemitério, queria ficar só, caminhava a passos lentos, parou num boteco, comprou uma garrafa de cachaça e foi bebendo a grossos goles até chegar a seu pobre barraco.
Chorou...mas como ele chorou: não tinha filhos, nem parentes, nem ninguém que lhe desse uma palavra de consolo e, como nunca tivesse bebido, adormeceu.
Acordou sonolento, segurando pelas paredes e numa latrina esvaziou sua dor e, por alguns instantes não sabia o que tinha acontecido e chamava por Verônica. Daí, a dura realidade fez morada no seu pensamento: estou só. Verônica morreu...
Comeu uns restos de comida que havia nas panelas em cima do fogão a lenha, tomou na bica de bambu um gole d'água, sentou-se num banquinho à frente do barraco com seu pandeiro e, segurava o vestido luzido de sua mulher que ia dançar o carnaval. Gostava de tocar seu pandeiro perto da sua amada que dava um show de samba. Francisco emudeceu... Nisso, aparece um amigo também com seu pandeiro e, sentados bem em cima do morro, os dois batucavam uma triste melodia. Nesse instante, o céu escureceu, uma forte chuva caiu, o pandeiro de Francisco rolou morro abaixo e, ele na sua insana mente gritava: Verônica está escorregando o morro e se jogou morro abaixo para salvá-la e foi se encontrar com ela no céu.
Seu amigo atordoado gritava desesperado. Mais nada podia fazer, pois um, não conseguiria  viver sem o outro e na sua sã consciência falou baixinho: menos um boêmio à sofrer nos bares das noites da vida.
Essa é a história de um amor verdadeiro que não precisava de um castelo para ser feliz, apenas um barraco e quatro noites de carnaval, pois um completava o outro.


12 Comentários:

Às 27 de junho de 2014 04:04 , Blogger ✿ chica disse...

Muito linda tua inspiração! Tristes momentos para Francisco! beijos.,lindo dia! chica

 
Às 27 de junho de 2014 06:45 , Blogger Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Hallo Freund die Geschichte ist schön und es gibt wirklich keine Notwendigkeit für Burgen, glücklich zu sein.

Küsse-Carmen Lucia

 
Às 27 de junho de 2014 07:12 , Blogger Ghost e Bindi disse...

As vidas predestinadas a se unirem, sempre se reencontram...seu lindo conto é a lembrança desses amores atemporais!
Um abraço, desejamos um feliz final de semana, amiga!

Bíndi e Ghost

 
Às 27 de junho de 2014 07:34 , Blogger ReltiH disse...

EL AMOR ES ASÍ. MUY BELLO RELATO.
UN ABRAZO

 
Às 27 de junho de 2014 09:04 , Blogger Simone Felic disse...

Que triste , e assim é na vida real , amores que não se
realizam pra toda vida.
bjs e bom fim de semana.
http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

 
Às 27 de junho de 2014 09:13 , Blogger Cidália Ferreira disse...

Boa tarde Dorli
Belissimo texto!! Obrigada.

Tenha um otimo fim de semana.

Beijos

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

 
Às 27 de junho de 2014 11:32 , Blogger ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Alguns acham
que o amor se completa na riqueza.
Outros acham que o amor
se completa na simplicidade.
A diferença entre o pensamento correto e o errado,
chama-se felicidade.

Desejo aos que passam
por minha vida,
a ousadia da felicidade,
de encontrar a cada segundo
a inspiração necessária
para viver o presente
e ansiar o futuro.

Que as palavras continuem generosas
neste precioso espaço de sentimentos.

 
Às 27 de junho de 2014 13:15 , Blogger Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Um texto triste e belo ao mesmo tempo. Adorei como sempre.

Estou voltando e quero agradecer o carinho e apoio que me incentivou a continuar.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

 
Às 27 de junho de 2014 13:17 , Blogger Tunin disse...

O barraco deles guardava a felicidade que muitas mansões não guardam. A simplicidade, a singeleza, o toque são a tônica para um amor sadio. Pena que tudo nesta vida é temporal.
Lindo conto, minha amiga.
Abração.

 
Às 27 de junho de 2014 15:56 , Blogger Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Dorliamiga

Que estória mais triste, mas simultaneamente mais linda e terrível. O Amor tem destas coisas esquisitas, mas a vida é assim, madrasta. Belo texto. Obrigado

Qjs

Na Travessa há um texto meu, verdadeiro, sobre a guerra colonial de Angola. Talvez gostes...

 
Às 27 de junho de 2014 17:04 , Blogger Rosemildo Sales Furtado disse...

Lindo e triste! O mais importante é que o grande amor se sequenciará numa nova dimensão.

Beijos e um ótimo final de semana para ti e para os teus.

Furtado.

Amanhã a fofoqueira estará aqui.

 
Às 29 de setembro de 2014 07:53 , Blogger Beatriz Bragança disse...

Querida Dorli
Uma linda história,se bem que trágica!
Acredito que haja muitas iguais na vida real,infelizmente!
Como retrata bem a realidade do dia a dia!
Parabéns.
Um beijinho
Beatriz

 

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